segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O estranho caso de Scarlett



Já ouvi de tudo. Já declinei tudo. E a tudo respondo sempre com o mesmo argumento: a sensualidade não tem razões óbvias! Mas a custo lá tento explicar. Começo pelo facto de ter feito um CD com músicas de Tom Waits. Um abraço ao indie rock que gostei. Aí dizem-me logo que estou a ir para o plano subjectivo. Concordo, volto ao rumo. Então alego um imaginário: a nova iorquina que sabe rir de si própria. Porque depois da imagem está aquela voz rouca e o seu riso. E depois temos as formas. As curvas. São razões demasiado objectivas, voltam a dizer-me. E volto a concordar. Porque o estranho caso de Scarlett vai para além do imaterial e do material. O que quer dizer do que transmite e da sua imagem. É toda aquela forma como olha para quem contracena. Como fala. Como se posiciona. Um amigo que partilha o mesmo nome que eu diz sempre que "é a miúda que é inalcancável mas que quer ser amada, que me faz acreditar que eu posso ama-la". E ele continua, "Não é a miúda jeitosa que no bar nos coloca as mamas debaixo dos olhos para lhe pagarmos mais um copo". Elas metem-se na conversa e dizem sempre que nas fotos que lhe tiram no Verão ela não é perfeita. Alusão descarada às suas coxas. Mas não é a perfeição aqui que é importante. Como se a perfeição fosse exigível. Como sabemos que nunca seremos Tom Hardy sabemos que a perfeição não existe.