segunda-feira, 8 de abril de 2013

Até logo, Pedro

Já comecei este texto mil vezes. Já limpei as lágrimas mil vezes. E não consigo arranjar uma forma de mostrar o que quero. Quero mostrar o Pedro. Quero escrever o Pedro como ele merece. Quero escrever o que sinto por perder o Pedro. Mas não consigo. Em loop só tenho na cabeça a última vez que estive com o Pedro. Um jantar em que estivemos com mais dois amigos. Os mesmos de sempre. Em loop só me passa pela cabeça o abraço quando nos despedimos.  

O Pedro tinha uma bicicleta como eu. E andávamos a planear fazer um passeio. O Pedro andava com ideias de fazer uma grande viagem de bicicleta. O Pedro perguntou-me se eu queria ir. Disse que tirávamos um ano e lá íamos nós. O Pedro tinha comprado há pouco tempo uma prancha de surf. Andávamos também a planear ir apanhar umas ondas. Hoje pensei nisso. E quando apanhar a minha onda vou sentir a falta do meu amigo Pedro. Nunca vamos apanhar uma onda os dois. Nunca fizemos o nosso passeio de bicicleta. Mas, infelizmente, quando alguém parte há muitas coisas que ficam por fazer. Por dizer.

O Pedro tinha tiques de linguagem. Quando concordava com alguma coisa dizia sempre “Yah, mano”. O Pedro tinha um nariz de batata e um riso fácil. O Pedro tirou o mesmo curso que eu. Mas também se desiludiu e seguiu outro caminho. O Pedro amou. O Pedro foi amado. O Pedro tinha outros amigos. O Pedro ajudou-me quando mudei de casa. Quando lhe liguei apenas disse “Claro, quando precisas?”. 

A última coisa que o Pedro colocou no Facebook foi uma música de Gorillaz, On Melancholy Hill. E eu só tenho ouvido essa música. O Pedro despediu-se sem saber com uma música bonita. Porque o Pedro era uma pessoa bonita. E eu tenho saudades do meu amigo Pedro.