“Os escritores têm hoje um papel muito menos proeminente do que alguma vez tiveram na cultura. Esse papel pertence agora ao cinema e à televisão por cabo. A Sério. Também são trabalho de escrita com qualidade da boa, ficção substancial. Breaking Bad, Mad Men, Oz, House of Cards."
Joyce Carol Oates, in Ipsilon 29.08.2014
Talvez tenha alguma razão. Um livro não tem talvez o impacto que tem hoje a televisão. E por detrás estão pessoas que colocam esforço, empenho e dedicação na construção da história, na frase, nos diálogos. Mas as suas histórias, os seus personagens, são tomadas pelos actores. Pela personificação do que foi imaginado por outrem, os escritores.
Hank Moody, personagem fictícia que em ficção é um escritor que acaba por ser guionista. Faz esta passagem que Oates fala. Don Draper, personagem fictícia com as frases mais enigmáticas escritas por alguém, mas ditas pelo actor que lhe dá, cara, voz, corpo tornando-se quase o dono daquelas palavras.
E quem escreveu? Longe dos Holofotes que Oates tem, e teve. Que Kafka teve e tem. Que Maugham teve e tem. Li uma vez que escrever um romance não é para todos. É uma maratona. E como todos sabemos, há muitos velocistas mas maratonistas é toda uma outra categoria de pessoas. É um esforço de aguentar uma tarefa que é longa. Dura. Esgotante. Talvez uma série de televisão é o inverso mas igualmente dura e esgotante. Porque tem de ser rápida. Incisiva. Intimista. E isto em tempo recorde. São mini maratonas. É treino de alta intensidade diária.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Todas As Relações São Fáceis
Todas por igual. Fáceis, é o adjectivo. Mas é um fácil frágil. Um fácil temporário. Um frágil fininho feito vidro. Todas são fáceis até à primeira discussão. Ao primeiro arrufo. Ao primeiro não. Ao primeiro choque de vontades. Ao primeiro não quero. Não me apetece. Não estou para aí virado. Nessa altura, acaba o fácil. E, talvez, comece a verdadeira relação. Mas isto são clichés, são verdades fáceis.
Do outro lado há um outro Eu. Claro que vai ter vontades próprias. Opiniões. Porque viver connosco só é fácil aos nossos olhos. Alguém vai ter de lidar connosco como teremos de lidar com um outro. Até lá, assumir esta falha há apenas enamoramente, tesão, mundos perfeitos. É fácil, portanto. No choque dos dois Eus é que surgem todas as dificuldades. E uma qualquer relação não é mais que o somatário de dois. Se quanto termina a facilidade um sai, bem, não há relação. Não porque ela é frágil ou não podia dar certo. Não podia com aquele que abandonou. Porque vacilou no momento em que os homens têm de ser duros ou as mulheres têm de ser rijas.
Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada.
Sêneca
Do outro lado há um outro Eu. Claro que vai ter vontades próprias. Opiniões. Porque viver connosco só é fácil aos nossos olhos. Alguém vai ter de lidar connosco como teremos de lidar com um outro. Até lá, assumir esta falha há apenas enamoramente, tesão, mundos perfeitos. É fácil, portanto. No choque dos dois Eus é que surgem todas as dificuldades. E uma qualquer relação não é mais que o somatário de dois. Se quanto termina a facilidade um sai, bem, não há relação. Não porque ela é frágil ou não podia dar certo. Não podia com aquele que abandonou. Porque vacilou no momento em que os homens têm de ser duros ou as mulheres têm de ser rijas.
Um timoneiro que se preze continua a navegar mesmo com a vela despedaçada.
Sêneca
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Moda & Desporto
As ligações são cada vez mais visíveis. E são cada vez mais colaborações à procura de novos mercados. Um piscar de olho do desporto à moda e da moda ao desporto. Nada contra e tudo a favor. Afinal uma consciência ecológica que passou para uma consciência de nós enquanto indivíduos preocupados com o bem-estar, começou há uns anos e agora está presente em todo o lado. Todos correm. Todos praticam desporto. E todos querem estar bem. E de preferência bem vestidos.
O Gigante do futebol Real Madrid percebeu isso mesmo. O designer das suas novas camisolas é nada menos que Yohji Yamamoto.
O Gigante do futebol Real Madrid percebeu isso mesmo. O designer das suas novas camisolas é nada menos que Yohji Yamamoto.
A Moda
Há um ano, farto de jantares e coisas que tais pelo meu aniversário, decidi não fazer nada. Até me lembrar, sou de uma terra ao pé de um rio. Com uma zona espectacular. Bem tratada. Com mesas para lá irmos. E fiz um pic-nic de aniversário. Juntei uns amigos e lá fomos. Hoje, na Time Out, faz-se referência à moda dos Pic-Nics de aniversário. Sou um visionário.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Essa Coisa D`Amor
Sempre que acho que sei o que é o Amor, os anos mostram-me que não sei nada. Agora, tomei uma decisão. Assumi que não sei o que é. Vivo-o apenas, pronto. Temos esta relação em que ele existe, eu sei que sim, mas não sei o que é. Limito-me a desfrutar dele. O que significa desfrutar d`Ela.
Quando era mais puto acho que confundia amor com paixão. Ou uma certa espécie de tesão. Eram apenas paixonetas. Descobri com o tempo. Mesmo que naquela altura gritasse que er`Amor. Que sofria. E doia. E achava que se podia morrer disso. As canções, os filmes e alguns livros faziam sentido. Mas foram apenas os anos da adolescência. Tontos e hiperbolizados de sentimentos que o tempo mostrou serem quase inócuos. Mas todos sentidos. Na pele. No pensar. No querer. Eram simples e honestos. E eram um casulo d`Amor. E o que nasce, nasce para algo. Nunca sabemos no que se vai tornar. Um dia, talvez, vejamos o resultado. Até lá, vive-se. É isto. Apenas e só.
Quando era mais puto acho que confundia amor com paixão. Ou uma certa espécie de tesão. Eram apenas paixonetas. Descobri com o tempo. Mesmo que naquela altura gritasse que er`Amor. Que sofria. E doia. E achava que se podia morrer disso. As canções, os filmes e alguns livros faziam sentido. Mas foram apenas os anos da adolescência. Tontos e hiperbolizados de sentimentos que o tempo mostrou serem quase inócuos. Mas todos sentidos. Na pele. No pensar. No querer. Eram simples e honestos. E eram um casulo d`Amor. E o que nasce, nasce para algo. Nunca sabemos no que se vai tornar. Um dia, talvez, vejamos o resultado. Até lá, vive-se. É isto. Apenas e só.
segunda-feira, 25 de agosto de 2014
Retornos Musicais
Aos 14 anos fazia duas coisa quando estava fora de casa: jogava a bola e descia a minha rua de skate. Eram bons tempos. Não tentava impressionar ninguém. Bem, talvez as miúdas que moravam na mesma rua que eu. Quando estava em casa jogva Tony Hawk e descia ruas imaginárias. E o que mais gostava. Aumentar o som e ouvir isto enquanto jogava.
Amores Platónicos
Num fim-de-semana passado saímos para a Costa ao fim da tarde. Eu e mais uns amigos. Ondas tardias num sábado que se alongava, era o plano. Cruzámos a ponte quando um dos que ia sentado atrás grita, aumenta o som, aumenta o som. Quase que parámos o carro. Alguém pergunta, baixinho, a medo, mas gostas disto? Tocava Bruno Mars. E o primeiro, com calma, responde é isto, é tão isto. E aumentámos o som e continuamos.
Alguns segundos depois, ele volta a gritar, é aqui, é aqui. E aumentamos o som e ficámos em silêncio.
Entretanto, enquanto a música continuava, chegámos e estacionámos. Alguém pergunta, o que é que tem a música? E ele insiste, é tão isto. Quando cheguei aos trinta isto passou a ser uma realidade. Desatámos todos a rir. Mas ele continua, é verdade. As míudas de vinte e poucos prendem-me a atenção como nunca me tinham prendido. Pelo menos eu não me apercebia. Agora são um fruto proibido. Eu finjo que não estou a olhar mas ela apanha-me sempre. Voltámo-nos todos a rir. E ele diz, olhem ali, olhem. Da praia regressavam duas miúdas. Cabelos em desalinho e pele dourada. calções curtos e tops esvoaçantes. Vêem? São amores platónicos, diz ele. Preenchem-me a cabeça quando as vejo. Só isso, cobiço-lhes a beleza. Sou como o Pedro Paixão e o MEC.
Alguns segundos depois, ele volta a gritar, é aqui, é aqui. E aumentamos o som e ficámos em silêncio.
All you you wild girls
You make a mess of me
Yeah, you young wild girls
you`ll be the death for me, the death for me
Entretanto, enquanto a música continuava, chegámos e estacionámos. Alguém pergunta, o que é que tem a música? E ele insiste, é tão isto. Quando cheguei aos trinta isto passou a ser uma realidade. Desatámos todos a rir. Mas ele continua, é verdade. As míudas de vinte e poucos prendem-me a atenção como nunca me tinham prendido. Pelo menos eu não me apercebia. Agora são um fruto proibido. Eu finjo que não estou a olhar mas ela apanha-me sempre. Voltámo-nos todos a rir. E ele diz, olhem ali, olhem. Da praia regressavam duas miúdas. Cabelos em desalinho e pele dourada. calções curtos e tops esvoaçantes. Vêem? São amores platónicos, diz ele. Preenchem-me a cabeça quando as vejo. Só isso, cobiço-lhes a beleza. Sou como o Pedro Paixão e o MEC.
sábado, 23 de agosto de 2014
Excerto Da Vida Real
"As pessoas mexem-se de forma como se estivessem a fugir. Julgo que delas
próprias. Do sítio de onde vêm. De trabalhos aborrecidos que lhes sugam os
sorrisos. Depois vão para casa para a televisão a seguir ao jantar. Onde
notíciarios dizem a porcaria que tudo se tornou. Onde aparecem homens de fatos
escuros a pedir confiança para os cargos que ocupam. Mais logo as televisões
desligam-se e apagam-se as luzes. Tenta-se dormir e descansar um bocado para no
dia seguinte repetir-se tudo novamente. Talvez haja sorte e tenham direito a um
pouco de carinho da pessoa com quem dormem. Para os sozinhos, os tristes que ainda
andam a jogar na lotaria dos afectos, há sempre a imaginação de um outro corpo.
Sabe a pouco. Mas é o que é. A minha vida não é muito diferente. Assim que abro
a porta de casa apercebo-se disso. Sou tão idiota."
In, Até Deus Tem Um Inferno
In, Até Deus Tem Um Inferno
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Tristeza
A única forma que a sensação descrita, só e apenas, com a palavra do título se embeleza, é quando é cantada. O Site Complex acaba de pubicar as mais belas tristezas cantadas em 2014 até agora. Está lá Lana, como seria óbvio. Bela e frágil. Psicótica até. Por vezes poderosa. E a música que elegem é Pretty When You Cry. Apropriado, pois claro.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Velhice
Os meus amigos, quase todos, elas e eles, estão na terceira década. O medo dos anos aumenta. Aumentam os cuidados. compram-se cremes que antes se negligenciava. Procura-se uma vida mais saudável. As preocupações mudam. O que aumenta é um certo saudosismo. Mas quando ainda há vida pela frente. Pensar nos tempos do liceu, é pensar em metade da vida atrás. Mas há um certo charme e graça nelas que vem com os anos. Uma confiança que é sensualidade em forma de mulher. E eles, estão cada vez mais cool. Os anos passam e eles melhoram. Melhoram com as reocrdações que trazemos impressas no corpo.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Fatos
Um fato é um coisa sóbria. É uma coisa que deve ficar elegante. Pensar nos porteiros das discotecas no anos 90 é pensar no efeito contrário a que tudo o fato representa. Don Draper o tipo que faz um fato cool. Ou um fato que ajuda Don Draper a ser cool. Não interessa qual aopção.
A verdade é que o apelo a uma vida activa condiciona vestir um fato. Os gemeos crescem. As coxas alargam. E as calças apertam. Efeito toreiro num fato. E começa a imagem do porteiro a vir à memória. devagarinho, como quem não quer a coisa.
Resultado: um problema.
Não há problema que não tenha solução. J Crew apresenta a sua versão para solucionar o problema. Pernas de calças com mais espaço. Mangas com mais espaço. Estilo não quer dizer que se lixe o conforto.
Regresso
Depois de uma semana condenado ao peso do corpo, voltei à box. Quer dizer à aula de crossfit. À alta intensidade. Ao número de repetições em menor tempo. Gosto. Sabe bem. Chego, cumprimento todas as pessoas. Cumprimentam-me de volta. Olho para o quadro e para o desafio do dia. E aliviado penso, são só 3 exercícios. Acontece que já devia saber. Já devia estar à espera. Terminou comigo no chão. De rastos. Quarta há mais.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Credos
Diferentes aqueles que encontrei a semana passada. Das águas geladas que encontrei no Algarve e na ausência de ondas, para Aljezur e a costa alentejana. Cheia de miúdas giras e tipos cool. Onde parece que Lisboa perde os seus e eles se transformam em boémio e hippie chics do campismo natural e resorts que cavalgam ondas. E eu gosto disso. Gostei disso. Volto sempre. A tempos, amiúde. Até daqui a duas semanas.
Meias
Uma das coisas que a minha mãe me ensinou, naquele já longíquo ano da minha primeira oral da Faculdade, é que as meias são da cor das calças. Mais do que os sapatos, as meias condizem com as calças. Não sei se esta regra é universal. Ou se é sequer uma regra. Talvez, apenas uma mania da minha mãe, a mesma pessoa que nunca, quando era petiz, me calçou com meia brancas.
E reparo nisso. Quem calça meias de cores diferentes das calças. Não são meias divertidas e coloridas. São meias de cor neutras. Principalmente em fatos. Sapatos castanhos, meias pretas e calças azuis. É todo um mundo estranho.
E reparo nisso. Quem calça meias de cores diferentes das calças. Não são meias divertidas e coloridas. São meias de cor neutras. Principalmente em fatos. Sapatos castanhos, meias pretas e calças azuis. É todo um mundo estranho.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Miúdas Bonitas
No outro dia vi uma miúda incrivelmente bonita. Não era apenas atraente. Era incrivelmente bonita. A porporcionalidade do seu rosto. O desenho dos lábios e dos olhos. O cabelo. Era mesmo bonita. Não gira. Não engraçada. Bonita, é a palavra.
Acho que o bonito é muitas vezes desvalorizado. Camuflado pelo forte fardo do sexo. A beleza é ofuscada por um corpo vestido - ou despido. E um corpo também é bonito, que não haja confusões. Mas corpo é sexo. Poder. Tesão. E a beleza por vezes segue lado a lado escondida. Aninhada. Estampada num rosto.
Acho que o bonito é muitas vezes desvalorizado. Camuflado pelo forte fardo do sexo. A beleza é ofuscada por um corpo vestido - ou despido. E um corpo também é bonito, que não haja confusões. Mas corpo é sexo. Poder. Tesão. E a beleza por vezes segue lado a lado escondida. Aninhada. Estampada num rosto.
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