quinta-feira, 18 de abril de 2013

O meu barbeiro tem tatuagens

Entrei no barbeiro no modo do costume, com o prazer de me ser fácil entrar sem constrangimento nas casas conhecidas. A minha sensibilidade do novo é angustiante: tenho calma só onde já tenho estado. Bernardo Soares, in Livro do Desassossego. 

E entrei eu naquela barbearia. Para me sentar naquela cadeira. O barbeiro de tatuagens nos braços, bigode e com um autocolante da A.P.C. no espelho à minha frente fez-me sentir em casa. Uma barbearia não é um salão. Nao cheira a perfume a a shampoo. Cheira a barbearia. E não consigo dizer o que é isso. Toalhas brancas e quentes colocadas no pescoço. A navalha desliza. Ouve-se aquele barulho sobre a pele. Onde um corte é feito com precisão e simples e a pensar que somos tipos. Que aquele é um lugar que gostamos e prezamos.




1 comentário:

margas disse...

Já não se fazem barbearias nem comércia tradicional como antigamente! Quanto a Bernardo Soares, bem tem razão, como de resto a tem em tudo o que escreve!