sexta-feira, 8 de novembro de 2013

If I Can Make It There, I'll Make It Anywhere

Antes de Jay-z, houve Sinatra. Manhattan, Nova Iorque. O centro do mundo.
 
A$AP Rocky e Cara Delevingne juntam-se para DKNY. E tudo faz sentido. Ele vem do Harlem. Ela vem de Londres. O Masculino e o feminino. A aspereza e a sensibilidade. Juntos para celebrar Nova Iorque celebrando a marca que vai buscar à cidade parte da sua denominação.
 
Tradicionalmente veriamos A$AP a usar Supreme e Obey. Marcas da rua. Dos duros. De Nova Iorque. Tradicionalmente veriamos Cara a usar Burberrys e Stella. Marcas dos detalhes. De subtilidades. De UK.
 
Mas a tradição já não é o que era.
 
A$AP usa Rick Owens. Cara usa Supreme. Porque tudo é cultura popular. A questão é qual o lado que quer apanhar o outro? São as de streetwear que querem apanhar outros consumidores? Porque são mais cool que as high end? São as High End que querem democratizar-se?
 
Quando o street style foi para a rua a caixa de Pandora libertou-se. Não é de agora. Street style existe há algum tempo. Agora, até podemos questionar se existe verdadeiro street style. Mas a questão é que quando a rua se tornou palco, tomou-se consciência de uma certa estética. Mais ou menos coerente. Mais ou menos de nichos. Com mais ou menos tribos. Havia uma estética. Uma estética que passava pela apropriação do que as marcas lançavam apropriando-as para o plano pessoal.
 
E A$AP é isso. E Cara é o outro lado. A rua e a passarele juntos para uma campanha de uma marca intermédia.
 
Porque quando A$AP começou a utilizar, no seu plano pessoal, marcas que era da fashion crowd, a indústria tomou conhecimento que havia uma cultura popular que não lhe era alheia. Quando Cara foi vista com o gorro da Supreme, a street wear viu que não era indiferente aos fashionistas.
 
Isso, e as constantes colecção de inspiração streetwear que já vinham a sair todos os anos. Umas mais descaradas. Outras menos. De Givenchy a Marc Jacobs. De Rick Owens a Comme des Garçons. Todas espreitavam os putos na rua.
 
As high end ganham. Outros públicos. Outros palcos. Outras vendas. Outra visibilidade.
 
As de street perdem.
 
Ao se ver Nike e New Balance nos pés de tipos de fatos em Florença e nas semanas da moda não deixa de se sentir uma certa apropriação ilegítima. O sentimento de um olhar mainstream que se coloca na Obey, Carhartt, Supreme, Nike, não deixa de incomodar os antigos utilizadores.
 
Porque o que ainda separa um e outro mundo é a lealdade com se olha para um par de ténis. As filas intermináveis quando é lançado uma edição limitada de uns Nike nunca encontra comparação quando se lança uma edição exclusiva de uma camisola qualquer - excepção feita, por motivos completamente diferentes, às colaborações entre H&M e criadores.
 
Para elas, este ano, os running shoes são os substitutos naturais das botos motoqueiras do ano passado. O que prova que esta estética street continua a sua galopada conquista. Mas isto, nesta industria, é um círculo. Será, dentro em breve mastigada e digerida. E A$AP e Cara serão subsituidos. Outros virão.
 

5 comentários:

Stefan Palma disse...

Não podia concordar mais

CatParkinson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CatParkinson disse...

Eu gosto de duplas inesperadas. E gosto que algo (que merece) comece a ganhar protagonismo pelas razões certas (o streetwear).

E disse...

Stefan

apesar de não tirar grandes conclusões, acho que fica uma ideia. e havia tanto por onde continuar.

E disse...

CatParkison

Também gosto de duplas inesperadas. Mas daquelas que fazem sentido. E esta, até faz.

Também me agrade que o streetwear tenha um novo lugar. Mas as suas consequências podem ter alguns efeitos nefastos.

A EN|NOIR, uma marca de luxo streetwear parece um desses efeitos. Parece o choque de dois mundos que não faz muito sentido.