sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Ela e os livros




O seu plano resultou. Em duas semanas tinha duas propostas. Era ela que iria decidir no final, não outros por si. Escolheu uma cuja sede ficava nas traseiras do Hyde park. Nas primeiras semanas impôs-se pela simpatia. Pela perspicácia nas suas opiniões e pela capacidade de trabalho. Fez as colegas olharem para si com alguma inveja e os colegas com algum desejo. Ignorou essas considerações. Lia novos autores, emitia opiniões. Quase sempre certeiras. Começou a ver os livros também como produto. Não vendia apenas histórias ou livros, vendia sonhos, mundos irreais, imaginários. Tinha a estranha capacidade de entrar na cabeça dos autores por ler as suas palavras. Assim conseguia saber que direcção dar aos livros que lhe apareciam todas as semanas na secretária.

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