terça-feira, 5 de março de 2013

A realidade é sempre mais interessante que a ficção



No outro decidia entre dois livros na minha livraria preferida. Na mesa de cabeceira branca estão alguns. Lá em casa, na estante no corredor mais. Na sala outros. No computador uma lista com os lidos e por ler. Mas na estante à minha frente dois que pediam que se escolhessem. Aniquilando-se um ao outro com argumentos. Sentei-me num banco castanho à espera da decisão. Ela passeava-se entre outros livros. Dei corda ao relógio de pulso e esperei. Ganhou Última Saída Para Brooklyn. Selby veio para o bolso do casaco militar. E abandonei Os Hipopótamos Cozeram nos seus Tanques. Ficou a ficção que é realidade. Onde elementos da Beat Generation escreveram a quatro mãos a história de um outro elemento da Beat Generation que comeceteu um crime. A história seria só esta. Se a Beat Generation não tivesse como mote não ter regras. E eu tenho regras. Há aqui um gap entre aquela realidade e a minha. Mas a realidade desta história é que todos os intervenientes ficaram para a história por terem sido as fontes inspiradoras por detrás de personagens nos livros de outros intervenientes desta geração. A vida de todos eles superou a ficção que escreveram. O que é fixe. Menos a parte do crime. Isso não é nada fixe. Mas isso foi a vida de Carr, Karouac, Burroughs, Ginsberg. E a minha é tão desinteressante. Dentro das minhas camisas lisas. Das minhas t-shirts lisas. Onde ao final do dia abro o portátil para escrever algumas coisinhas. Passo o mão pelo cabelo até ficar desgrenhado. Depois vou para o sofá com um copo de Martini. E penso que sou um louco génio. Ou o contrário, um génio louco. Mas na realidade não passo de continuar a ser eu mesmo. Continuo a gostar de ténis e coisas simples. O armário é uma junção de coisas iguais umas às outras. Até o Gato preto salta para cima de mim a pedir festas. Ela entra em casa e vem com ela o cheiro bom. E abro o livro e continuo na Última Saída para Brooklyn. Entre putas, Drag Queens e drogados. A vida desta gente está cheia de percalços a cada página que viro.

4 comentários:

Iva Araújo disse...

Eu estou viciada neste blog! Adoro cada post que escreves e não escreves nada mal... Sabe bem perder uns minutinhos a ler coisas boas :)

E disse...

Eh pah, obrigado!

Vera, a Loira disse...

O livro parece-me interessante, mas ainda estou colada à descrição do perfil do autor "Pedalo uma bicicleta", é que eu também :)

E disse...

E diz-me, és tão mais feliz, certo? :)