quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Diário De Bordo

Pensei no outro dia, vou escrever um diário. Depois lembrei-me, mas eu tenho um blog. Mas qual a diferença entre um blog e um diário? Foi o que pensei de seguida. Talvez um diário seja mais pessoal. Coisas que deverão ser lidas só por nós. Mas o que deve ser lido por outros? Há quem publique os seus diários. Os abra a terceiros. Com coisas extremamente desinteressantes a não ser para quem as escreveu. Que interessa que hoje o meu pequeno-almoço tenha sido um ovo mexido e um batido de banana com bolachas maria. Ou que vesti o meu fato escuro com os brogues pretos. Que vi uma rapariga com as unhas perfeitas no metro. Estavam pintadas de encarnado. Mas um encarnado bem bonito. Estavam muito bem arranjadas. Ia a ler um livro sobre os fundamentos de marketing. Lembrei-me logo d`Ela. Em como lhe dou sempre dois beijos na boca e um na face esquerda. Acho que o meu diário estaria cheio de pequenas coisinhas como estas. Como o senhor que encontro todos os dias quando vou beber café. Tem sempre o nó da gravata mais perfeito que já vi. Às vezes tento-o imitar em casa. Mas nunca sai sempre tão bem como o do senhor. É como aqueles tipos, com cabelos bem cortados, todos muito bem pentedados. Todos puxados para trás a fazer um risco ao lado perfeito. Como conseguem? Ou poderia fazer a contagem de cafés que bebo durante o dia. Separava-os em os da máquina Nespresso e os de café café. Uma listinha ao lado da outra. Mas isso não teria nenhum interesse. Poderia dizer o que estou a ler. Neste caso a reler - é o To Kill a Mockingbird, já agora. Não tenho muito a dizer que já não tenha dito algures. Poderia escrever sobre a minha impressão das novas tendências, agora que se aproxima o tempo mais frio. Vai começar aquela fase em que uns vestem gordos casacos. Outros ainda andam de braços nus. A minha breve teoria sobre ténis e sapatos.  Como uns ténis não são uns ténis. Recordar é viver, escreveria sobre Nova Iorque. Quando lá fui. Como lá fui. O que comi. Onde dormi. O que vi. O que achei. O que cheirei. O cheiro para mim é algo de hipérbole importância. Poderia encher páginas - ou posts - como brinco com o Gato Preto. E seria extremamente monótono. Jogo um dos seus brinquedos e ele vai buscar. Tal e qual um cão que calhou ter nascido gato. Sorte ou infelicidade a dele. Ele teve foi muita sorte. Foi encontrado num caixote de papelão ao pé do lixo. Encontrou um lar quando esperava a morte. Há animais com sorte. E humanos, afinal ele veio cá para casa. A sorte que eu tive.

Depois, lembro-me, isto é só um blog.

4 comentários:

melody disse...

Não é só um blog. É, sem dúvida, um dos blogs. Pelo menos, é um dos MEUS blogs.

E disse...

És demasiado simpática ;)

inversiva disse...

acho que não seremos as únicas a dizer que este não é "só" um blog. e num mundo onde a blogosfera se enche de mulheres, a tua visão masculina, assim como as tuas descrições absolutamente viciantes, transformam-se numa brisa fresca.
este, não é "só" um blog.

E disse...

Eh pá!, isso é demasiado simpático. Mas as mulheres são o melhor disto. They do it better. You do it better.