segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Amores Cabrões

Acontece sempre quando não estamos à espera. E não nos chega, na maior parte das vezes, como o sonhámos. Se existem amores perfeitos tornados flores, existem os amores cabrões tornados realidades. Uns são belos e transmitem a fragilidade. São para poupar, cuidar e apreciar. Para analogias sobre a rega e o vaso mais bonito. Os outros transmitem aquilo que não sabemos. Mostram a lotaria que são os anos a partir do nascimento. Para nos lixar e moer as escolhas que nunca tivémos

Escolhemos pouca coisa na vida. Quase nenhuma, se formos pessimistas. Algumas, se tivermos uma réstea de optimismo dentro do peito. O certo é que havemos de amar alguém. Se vamos ser amadados de volta é uma grande incógnita. Um amor nem sempre corre bem. Não deixa de ser amor. Dois corpos por mais que se atraem, por vezes expelem-se com o mesmo fulgor. O tesão só aproxima parte. A amizade só justifica um quinhão da coisa. O amor não tem palavras e não tem argumentos. Ou é perfeito. Ou é um cabrão.

Na ressaca de uma relação o deixado reaje a quente. A surpresa - quando ou é de facto  - mostra-se nos olhos abertos. As palpitações do peito aceleram e cospe argumentos. Como se dão bem. Como são compatíveis. As quecas sabem bem. Gostam das mesmas coisas. Mas o amor abana a cabeça. Porque é insensível. Porque fecha sempre a porta à razão. Como quem diz que não pensa. Sente, age e reage. Apenas e só. É um cabrão.

5 comentários:

melody disse...

É um cabrão mesmo. Um insensível. E resulta num sentimento de merda, mesmo. :(

margas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
margas disse...

" O amor não tem palavras e não tem argumentos. Ou é perfeito. Ou é um cabrão."

Está aqui uma síntese quase perfeita.
É no fundo a dualidade que está presente em tudo no Mundo Bom/Mau, Branco/Preto, Amor/Ódio, no fundo se calhar é mesmo isto que faz o Mundo girar! ;)

E disse...

Melody,

É uma treta, mas uma coisa que é impossível é argumentar contra o Amor. É escusado. Não sei sequer se tem a capacidade de ouvir.

E disse...

Margas,

Por acaso, é a sequ~encia que mais gosto. em 16 palavras está ali tudo, não é?