quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Não há duas sem três e à terceira é de vez




Não, volta. Gritou ela. Acordou de seguida. Ele, por seu lado, dormia ainda impávido. Os anos passaram e ainda são os dois. O que não deixa de ter alguma piada e vai-lhe deixando apenas uma sensação estranha do sonho que a levou a acordar. Levanta-se e vai até à cozinha beber um copo de água. O chão frio nos pé desperta-a. Os 40 aproximam-se. Em verdade, são ainda 4 anos de diferença. Mas, nestes tempos, o que são 4 anos? Ainda há pouco estava em Itália e isso foi precisamente há 4 anos.

O mundo mudou, e sentimos sempre a mudança. Devagarinho. Devagarinho. Mas nunca o mundo deixou de rodar. O sol a pôr-se e a lua a nascer. O tumblr é agora o instagram. O blog e o FaceBook. Ou era. Os jantares com copos de vinho em restaurante cool e chiques agora são escolhidos no Zoomato ou brunchs tardios onde se come sempre panquecas ou Açái. Miúdas de 20 aos 30 competem pela atenção numa mistura gira de estilos. Alguma inveja nos olhares.

Oiço isto tudo de manhã enquanto ela conta a sua madrugada. Bebo um duplo café da máquina nova do Nespresso e como, voilá, uma panqueca feita em casa. Panqueca de aveia e lascas de cocô, como manda o nutricionista. Oiço, e concordo. Abano a cabeça e vejo o mundo também a andar rápido de mais – ou é sempre à mesma velocidade e a idade já me deixa tonto? O relógio apita que está na hora de sair. O Google avisa-me que o trânsito pode complicar-me as horas de chegada. O Apple watch não perdoa. Ah, nostalgia, o relógio prateado da Casio deu lugar a um Nixon e agora é uma extensão do iphone. Revejo mentalmente o que tenho para fazer hoje. Almoço na Avenida com uns amigos e terminar o dia no CrossFit.  

Despeço-me com um beijo enquanto ela escolhe o que vestir na apresentação da estratégia ao cliente. Abro a porta e lisboa continua Lisboa. Nestes dias de sol, mesmo no inverno a porra da cidade é linda.

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